[por Joe Strume]
Eleições
Eis aqui uma coisa assustadora na campanha eleitoral desse ano: algumas alianças partidárias, que chegaram a absurdos para lá de surpreendentes!
Mas este texto, sem nenhuma finalidade de tomar partido no abismo da política brasileira atual (até porque não trabalho com lei de incentivo, e se trabalhasse, com certeza não seria desta forma a minha contrapartida), é sobre a participação de pessoas da música na política.
Então, para dar o chute inicial, devo sacar um compacto clássico!
Na verdade um flexi-disc – aqueles discos que eram de plástico e/ou papel, literalmente dobráveis. Nunca vi flexi-discs no formato
A própria revista Bizz trouxe compactos encartados em algumas de suas edições – eram flexi-discs. Já passou na minha mão um do New Order, com uma versão reduzida de Blue Monday. O flexi-disc foi criado para esse tipo de fim.
O flexi ao qual me referi acima é do... do... do Maluf!?!
Exato, pode acreditar! Além de grandes obras, e de estar casado há sei lá quantas décadas com a mesma mulher, o Maluf lançou um compacto! hahaha!!!
Neste caso, em parceria com a cantora Vanusa – sim, a mesma que anda tendo problemas em apresentações ao vivo.
O flexi é parte do material de campanha da candidatura de Maluf a governador, e de Vanusa à deputada federal, na mesma chapa - final dos anos 80.
One sided, ou seja, com música apenas em um lado, o disquinho de plástico certamente foi distribuído para colaboradores de campanha, quiçá para rádios.
Esta cópia eu consegui em Juiz de Fora, em 2004.
Estava de passagem por lá, fui pegar um LP que o Macaco havia arrematado pelo Mercado Livre, e ganhei o flexi-disc como brinde - depois de comprar o primeiro compacto do Sérgio Sampaio (Ana Juan/Coco verde – CBS, 1971).
Ao Valmir, o senhor que vendia LPs em casa e me deu o flexi, forte abraço daqui!
Abaixo a letra da música cantada pela Vanusa naquela campanha ao lado do Maluf. Leia-a e tire suas conclusões:
Voz da mulher
(Vanusa – Mauro Seal)
Eu proponho a você companheira
Uma revolução feminina
Não pra lutar contra os homens
Mas sim a favor da mulher.
Vamos formar uma grande corrente
Unir nossas mãos de mulher
O mundo está tão carente
De gente que sabe o que quer.
A gente não pode mais ficar ausente
A gente não pode mais se conformar
Levanta e grita presente
É hora da gente lutar.
Levanta sua voz mulher
Faz a sociedade te ouvir
Vamos mostrar nossa força
Grita mais alto mulher.
Somos mãe, amante, amiga
Executivas do lar
Obrigações apenas não bastam
Queremos direitos iguais.
A violência é tão grande
Não dá mais pra respirar
O nosso sufoco é tamanho
Que a gente só poder gritar.
Vejo que um dos três irmãos do KLB é candidato a deputado estadual por São Paulo.
Isto se equivale a quando gravaram uma música do Sérgio Sampaio!
Será mesmo que a pessoa entra na política pela função pública?
Ou está se aproveitando do nome que tem, da carreira?
Aqui em Minas, os vocalistas do Skank e do Jota Quest cantam na propaganda de Aécio Neves candidato a Senador.
Será que bandas mantêm alguma troca de favores com políticos?
Ou só recebendo um “cachêzinho” a mais?
Ambas as hipóteses são deprimentes, considerando ser gente que vende (ou vendeu) tantos discos e, querendo ou não, são parte da música brasileira dos anos 90 para cá. Logo, não seria equivocado ficar fazendo campanha na TV a favor do governo que responde a professores em reivindicação com tropa de choque?
Talvez tal situação apenas mostre a distância que esse pessoal e sua música estão da realidade brasileira, especialmente da educação
Enfins, assistir à campanha eleitoral desse ano, como também falar sobre, prova que aquela música dos Garotos Podres continua atualíssima:
- Enquanto você, de paletó e gravata, aparece na TV e diz coisas que não consigo entender.
O quê que eu faço? Vou fazer cocô!
O quê que eu faço? Vou fazer cocô!
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Se você está cansado do horário eleitoral gratuito, é só tirar 30 minutos e ver este documentário, dividido em três partes:
OS LIBERTÁRIOS. Documentário. Brasil/1975. Direção: Lauro Escorel Filho. Duração: 30 min.
Milhares de imigrantes europeus também passaram apuros no Brasil, diferente, lógico, dos portugueses e outros que vieram antes do século XIX, e mesmo depois, como colonizadores.
Os imigrantes que vieram como trabalhadores, para fazer nova vida aqui, comeram o pão do diabo no Brasil. Este documentário é roots!


Tenho vergonha da consciência política que eu tenho... Sinto-me analfabeto sempre acabo por fazer merda, mas acho que a grande maioria da população é assim porque nunca muda nada.
ResponderExcluirEu voto nulo.
Este deveria ser o slogan dos maus políticos do país - Absinto Muito - Eu não vou voltar (ao vivo) http://t.co/3IbspFH
ResponderExcluirVisite o nosso blog e deixe seus comentários. Um abraço!