... a vida nos faz passar umas coisas só pra testar nossa condição cardíaca. Ontem de noitinha, quando cheguei lá em cima, em casa, e vi o pacote quadrado e chato característico dos correios gringos jah fui perdendo a respiração. Corri na cozinha peguei uma faca (igual aquela do Guedes) e fui abrindo o pacote com o cuidado de um médico numa cirurgia de apendicite. Ateh minha mãe q tava lavando uns pratos ficou curiosa tamanha minha tremedeira e cuidados. Após 3 precisas incisões consegui extirpar o disco: era o Roots. Uau. Escorreguei o disco para fora da capa como quem segura um recém nascido e o coloquei sob a luz. Não havia riscos, os dois lados e o selo intacto “Graças a Deus”, falei baixinho olhando pra minha mãe no silêncio da cozinha. Estava conforme o vendedor disse: Near Mint.
Havia mais de ano q tava atrás deste disco, mas como os leilões dele terminam sempre acima da casa do 70U$ nunca puder conseguir. Este Lp n foi lançado no Brasil (aqui só saiu em CD). A minha cópia em CD eu havia vendido no sebo numa época de vacas magríssimas e ficou uma lacuna no coração q eu precisava tapar em alto estilo. Afinal, era uma questão de moral reaver este disco. Não eh papo de pescador, mas arrematei esta edição inglesa por um terço do preço, num lance de deslavada sorte no ebay. Ao contrário do q o Blondie canta, “accidents happening”, sim.
Daeh que na hora resolvi q ia escrever sobre este disco pro rock de plástico. Eh metal? foda-se!! Pra mim este disco eh World-Music. Tem uma tribo inteira na contracapa dançando de mãos dadas com a banda. Tem batucada. Tem musica só de violão. Tem letra em português no meio. os caras são de minas. melhor disco do mundo. ateh o carlinhos bráu se redime nessa.
Desci correndo pra “Casa-Del-Rock” fechei a porta e janelas e num ritual Xavante, igual as fotos do encarte, empestiei o ambiente d fumaça e pus a agulha p funcionar no gradientão. Indescritível a felicidade. : ) sentado ao lado das caixas e de cabeça baixa fui ouvindo as faixas, uma a uma. Jah estava na 4ª musica do lado B, qd numa dessas de headbeanger (de pé, imitando as palhetadas na mão direita e a capa na esquerda) percebo q algo chacoalhou lá dentro da capa. !!??!! Ué,... o encarte jah havia tirado junto com o LP... o q era q tinha lá dentro ainda?... fiquei mudo. Será q havia um cartão de visita lá do vendedor? Um postal? Uma carta?? Dobrei abrindo a “boca” da capa e vi q lá dentro tinha uma nota de 1000cruzeiros!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! see pictures!!!!!!!!!!!!!!!!!
ateh agora meu peito n voltou ao normal.
: P
Será q esta nota (de verdade) vinha em todos os discos? Ou o ex-dono conseguiu uma e colocou lá dentro? Alguém pode me responder?
(ou, Minha vida é uma jukebox com 50.000 lindos compactos com belas canções que ainda não conheço.)
[por Gori Martinez]
Sabe esses domingos em quando você se vê sem grana para sair para canto nenhum com a patroa ? Pois é, isso pra mim já é uma constante, você acaba se acostumando em ter uma simpática e já familiar nuvem negra ali instalada sobre sua cabeça, mas não é disso que quero falar aqui, usei isso apenas para ilustrar que com pouca grana geralmente a diversão se faz em casa mesmo. Compra-se algumas cervejas, uma pizza e você fica ali na sua sala bebericando uma gelada e escutando mais atentamente alguns discos.
Num desses sábados a noite estava só pela sala ouvindo uns compactos e LPs escolhidos a esmo, foi quando senti minha cabeça ser atingida por algo como um raio !! Nesse momento tudo mudou, minha mente havia se aberto, se descortinado para uma nova realidade, olhei para meus discos com outros olhos, a verdade estava lá, a revelação era clara, não é mais necessário se escrever letras e fazer riffs, pois já temos musicas o suficiente espalhadas pela face desse planeta, todas as musicas de que precisamos já estão prontas !!
Voei por cima dos discos e compactos que estava ouvindo para constatar essa tão nova descoberta, e era tudo verdade, a era de Aquarius havia chegado em minha vitrola e realmente estava tudo lá para quem quisesse testemunhar, Jello Biafra cantava Reverend Horton Heat num 7”, Melvins tocava Alice Cooper num LP, Fuzztones gritava Cramps num 12”, Fun People reinventava The Clash num picture disc, Monomen destrinchava Link Wray num 10”, chapei total, eu entrei em Alfa, em Omega e atingi o Nirvana ainda com Pat Smear na guitarra.
Ok, eu confesso, queria ter atingido o Mudhoney, mas esta tudo bem.
Por muito e muitos anos, ouvimos canções maravilhosas tocadas por diferentes bandas, canções perfeitas com diferentes interpretações, canções essas que nos acompanham até hoje. Você consegue imaginar quantas vezes você já ouviu Louie Louie ? Quanta gente já tocou essa bendita musica ? E Rumble ? Quantas vezes não foi tocado esse riff pegajosamente incrível ? Pois é, não existe necessidade de se fazer mais musica, a aula já foi nos passada por medalhões como Cramps, Fuzztones, Mummies, Jet Blacks, Milkshakers, etc. e cada uma na sua maneira.
Vou pegar o Cramps para citar um exemplo, Poison e Lux reviraram sua coleção particular de discos, colocaram um velho acetato 78RPM na vitrola, era uma musica instrumental de uma banda super obscura que ninguém nunca ouviu falar de décadas atrás que só gravou esse disco, e agora como faz ? Não faz, já esta prontinho, basta apenas regravar com uns gritos e meia dúzia de palavras por cima e pronto, você tem em mãos um clássico do Cramps “Human Fly”. Legal, né ? Precisa fazer musica ? Não, claro que não.
Assim que saiu no Brasil pela Trama a edição nacional em CD de Superfuzz Bigmuff plus early singles do Mudhoney, um camarada meu disparou a pérola: “Não conhecia esse som deles Hate the Police.” Ok, o cara não tem culpa, não tem nada no encarte informando que esse som é do Dickies, o Mudhoney ligou o foda-se, gravou o som, lançou e saiu para fumar um baseado. Tem gente que acha que o som é dos caras, assim como tem gente que acha mesmo que Brand New Cadillac é do The Clash.
Em meados dos 90’s quando o RxDxPx lançou os dois classudos álbuns Feijoada Acidente, só ficou faltando duas coisas; terem edições em vinil e todo ano ser lançado um volume diferente Tipo Feijoada Acidente Volume 13, Volume 14, musica para isso não falta. O LP Live Europe do Fuzztones, não tem nenhuma musica composta pelos caras, pura diversão de Van Morrison a Stooges, tenho um LP de uma banda chamada The Spoons que é composta por 14 musicas que os caras estava a fim de gravar e não creditaram elas a ninguém. Repito, não precisa fazer musica.
Aliás, acho esse papo de credito na musica muito louco, tipo eu morro de rir quando leio que alguém esta processando o outro por plágio. Pensa comigo, dia ensolarado, céu azulão, rua vazia, você pega seu skate dá umas remadas, pega velocidade e na hora executar um frontside ollie 180º, tu freia bruscamente, coça a cabeça e pensa: “Porra, não posso fazer isso, vou estar plagiando o Tony Alva, será que tenho que pagar royalties para isso ?” Ou pior, chega junto da tua garota naquele climão, você dá um “vem cá minha nega” nela e na hora H você fala: “Caralho amor, se eu fizer isso que você quer vou estar plagiando o Kid Bengala, daí a Brasileirinha vai me fuder bonito no tribunal.” Sem condições não é ?
Uma conhecida uma vez me abordou numa conversa que o teor era “Deus inventou tudo, o homem só descobriu.”, bem, pensando dessa maneira, Deus inventou coisas maravilhosas como a vitrola, o vinil, a agulha, a cerveja gelada e o Pere Ubu, e outras ruins tipo o CD, o Mp3, a ressaca e os discos do Roberto Carlos do começo dos 80's até hoje. Desta forma então todas as musicas que conhecemos são de domínio publico, e ninguém é dono de nada, pois Deus teria feito até as musicas do Napalm Death e as do Burzum. Esse pensamento doente ainda por cima bateu de frente com o encarte de Fire of Love do Gun Club onde tem a foto da banda em frente a uma Igreja Batista. Mas isso é assunto para outra pauta.
Falando em Gun Club, nesse citado disco Fire of Love eles tocam dois blues com um arranjo incrivelmente barulhento e energético, algo que também é feito por Oblivians e Gories. Enfim, existe ainda um universo de excelentes canções à serem exploradas e recriadas cada uma a forma que mais convém.
Tem horas q eu gostaria, numa boa, de ter o dom de escrever bem e fazer um texto q emocionasse as pessoas e elevasse os espíritos em torno de um disco ou uma banda, tipo aqueles textos do livro “1001 Discos...”, q quando vc lê dah vontade de ter o disco nem q tenha q vender seu colchão no prego p adquirir. Mas a maioria das vezes fico plantado aqui e n sai nada. To aqui há um tempão tentando achar palavras q traduzam o som deste disco e n acho. A ressaca ajuda a atrapalhar. Mas vou tentar.
A princípio o Butter 08 n eh uma banda, e sim um projeto despretencioso q se formou durante as gravações e bebedeiras do ótimo single "Know Your Chicken",do Cibo Matto. Imagina juntar Russell Simins (batera do Jon Spencer Blues Explosion), mais as japonesinhas do CibboMato mais Rick Lee e o diretor de cinema Mike Mills em torno de um perfeito garage/jazz/rock. Ou algo q o valha. Difícil classificar o som, tem q escutar.
Tb n sei ateh q ponto este diretor de cinema influenciou no conceito do disco, mas ao longo das 12 faixas a sensação de trilha sonora impregna o desenrolar das faixas. Na verdade eh o q dah unidade ao trabalho pois as músicas são completamente diferentes entre si. Eh garage, eh jazz-rock, eh sexy, eh barulheira, ehcru e fino e n cansa. Ateh hj me surpreende escuta-lo. Cada faixa tem sua história e sua diferença, só o clima noir/filme-de-detetive/cabaré une tudo.
Quando Mike D do Beastie Boys escutou a “demo” n bobeou e passou os papéis pra banda assinar e lançar o LP/CD pelo selo Grand Royal Records. Isso foi em 1996. Daeh vc escuta hj e pensa q foi lançado... ontem! Isso porque n há compromisso com o tempo/moda vigente. É música criativa e com muita energia.
De quebra o LP ainda traz como convidado o Sean Lennon, tocando um tecladoanfetaminado em “In The Rage”. Outro pitéu no disco eh o sampler de Summer Samba, da dupla Marcos e Paulo Sérgio Valle (!?), na música “How do I Relax”. Contudo, eh na primeira música do lado 2 q o bicho pega pra valer com “Mono Lisa”, que tem construção q foge completamente da órbita do conhecido. Pra quem gosta de música com M maiúsculo vai comprovar o q to falando.
Jah foi bem complicado achar este Lp, mas hj vc encontra ele fácil na rede. Obra de luxo, vem num “gatefold” em papel graúdo e fotos internas q dão a dimensão exata do tom do disco que tem seus ares retrôs e timbres de brechós chiques, mas ao mesmo tempo é seco, urgente e áspero.
Flyers q são um Show!
(Tony sedex)
Resolvi abrir um pequeno espaço p falar de flyers e cartazes de shows q acho dignos de nota. Pra n passar despercebido mesmo. E este do show do Exploited em BSB eh de dobrar o joelho de rir. Palminhas, nota 10 e 3 estrelinhas pro cara que fez. Se alguém conhecer o dono do desenho, favor encaminhar meu sincero e humilde “parabéns, bicho, vc conseguiu!”. Mas tb vou colocar de onde ele tirou a idéa, neh?
Achar uma fita-demo no fundo da gaveta tem lá seu sabor de Indiana Jones, sim. Foi numa expedição bem sucedida ao meu guarda-roupa q me reencontrei com este tesouro, vindo de 1999: A fita cassete de “Onde Estão Suas Canções?”, do Momento 68. Uma fita q eu considerava perdida ou emprestada a fundo perdido estava ali agora, com aquele olho preto desenhado na capinha, num papel ColorPlus laranja, me fitando. Nem precisa falar q corri pro toca-fitas. Coloquei os fones grandes, me esparramei na cadeira, tirei o tênis e dei o play entre um grande suspiro d descarrego/felicidade. Fazia tanto tempo q n ouvia aquelas musicas que, hj, depois d 10 anos, soariam meio q inéditas de novo. Great.
Era um reencontro mas teve seu momento de ineditismo tb. Com estes bons fones eh q pude ouvir a intricada gama de camadas de sons construídas à unha, ali e que tinham passado despercebidas quando da época q adquiri esta k7. As texturas, as camadas e camadas de sons, a maneira como cada instrumento eh meticulosamente colocado, toda aquela sonoridadeo “Lo-Fi”, mas de resultado grandioso. – uau! É de se admirar tal resultado com apenas 4 canais pra registrar tudo (a fita foi gravada com um Tascam mk2)! Depois de 10 anos esta fita me ganhou de novo. Um resultado de um grande trabalho. Algumas das 11 músicas foram regravadas mais tarde, com mais qualidade e melhores condições técnicas, mas estas da k7 são os registros primais desta idéia q algum tempo depois veio a se tornar o Continental Combo. É ouro!
Pra relembrar o universo sonoro desta fita, o como de se juntar pessoas de lugares tão distantes em uma idéia tão legal e tb contar um pouco da atmosfera da época é q fui cutucar Sandro Garcia. Responsável diretíssimo por esta fita existir.
Conheço-o pessoalmente e sou muito agradecido a ele e ao Carlos Rodrigues tb, por terem me dado um help, quando morei em SP no ano de 97, me ensinando as manhas da cidade e sempre me chamando pros eventos bacanas e baratos q SP oferecia. Prum caipira eh sempre bom ter amigos na cidade grande. : )
Onde estão suas canção? Well, as suas eu n sei mas estas aqui estavam no fundão da gaveta da bagunça, a ultima de baixo, na porta da direita do meu guarda-roupas. E hj repousam definitivamente no lado esquerdo aqui do peito cabeludo. Rock-dePlástico traz p vc:
MOMENTO 68 – ONDE ESTÃO SUAS CANÇÕES? K7 – QUESTION MARK Recs. – 1999 Por SANDRO GARCIA (texto e fotos)
Conheci o Plato através de carta, isso foi na primeira metade da década de 90, ele já havia formado a Lovecraft uma banda que entre varias boas referências, trazia também grandes influências dos 60's e que lançou oficialmente apenas um album em 96 o disco saiu pela parceria entre a Barra Lúcifer Music e Krakatoa Records, selo do próprio Plato.
Desde que comecei a tocar sempre acompanhei os zines, pois neles eu encontrava novidades musicais e sempre foi um meio de trocar material com os amigos. Quando li a respeito da Lovecraft em um zine chamado "Jardim Elétrico", feito no Sul (RS) pelo Laufe Cristiano, gostei de várias bandas e resolvi enviar uma carta para o Plato para conseguir material do grupo, em seguida, o Ricardo Alexandre, na época jornalista do caderno ZAP! do Estado de SP, me deu de presente uma demo da banda (o K7 "Rockestra Test"), que adorei, não me lembro com exatidão mas isso deve ter sido em alguma ocasião em 1995. Faixas incríveis como "Amonia", "Jazzy Days", "Crazy e "Unissex Girl" estavam presentes nesta fita, fiquei curtindo os sons por um bom tempo.
O som da Lovecraft aliado a poesia surrealista do Plato foi bem marcante na maneira como eu passei a me relacionar com a música naquele período. A forma no qual eles produziam suas composições, tinha em alguns aspectos as mesmas referências dos sixties que a gente curtia, mas era feito com um maior nível de loucura e extravagância. Em São Paulo eu não me recordo de nenhuma banda que nesta epoca, desde do Violeta de Outono (com composições em portugues) tenha me causado este impacto.
O Charts, (banda que eu estava tocando desde 1991), já estava nesta época flertando com uma sonoridade mais psicodélica, esta mudança também já era percebida nas letras que estavam perdendo sua característica de temas mais urbanos. O Plato trouxe uma certa influência, mesmo que indiretamente, através de uma abordagem diferente em suas composições, algo feito com muita espontaneidade e riqueza peculiar.
A partir daí houve uma troca de informações musicais entre nós e o Plato, o que acabou levando o Charts a tocar algumas vezes em Porto Alegre. As pessoas de lá curtiam o nosso som (um mix de R&B, Soul, FolkRock e Mod) com referencias urbanas-paulistanas e com isso passamos a conhecer melhor uma cena emergente de artistas gaúchos como o Júpiter Maçã (na época ainda com os Pereiras Azuis) os sensacionais Frank e Plato e Empresa Pimenta, o Aristóteles de Ananias Jr (do Marcelo Birck), Os Moses, Lila Deep, Os Argonautas, The Clones, Smog Fog, Cinza e Azul Noite, Cóccix, Repolho (de Chapecó), os Walverdes, a veterena Graforréia Xilarmônica, a própria Lovecraft e também o trabalho solo do Plato, entre muitos outros. O Plato compilou em K7 algumas destas bandas e outras de regiões diferentes do país, a primeira coletânea chamada "Absolute Harmony" foi lançada em 1992, depois vieram outras como a "Sha La La SoundTrack" em 93, "A Fita dos Mil Disfarces" de 1994, entre outros títulos que listei no final do texto.
Nas vindas do Plato para São Paulo, ele as vezes ficava em casa, e nesses encontros surgiam "jams musicais", esboços, que foram tomando forma até se tornarem musicas mais elaboradas. Quando montei meu estúdio de ensaios em 98, o Quadrophenia, o Plato pintava por lá e o resultado de algumas gravações e experimentações descompromissadas acabou sendo as faixas que se tornaram o repertório do primeiro trabalho da nossa parceria que batizamos de "Momento 68". Músicas como "Antiglitter", "O Dia a Dia de Musicista Clean", "O Carteiro Voyeur e a Mulher de Preto" são desse período. As gravações foram todas feitas parte em um gravador Sony Stéreo de Mesa e também em um recém adquirido PortaStudio K7 Tascam 424 MkII, os registros feitos no Sony foram praticamente ao vivo, o Plato em alguns casos gravava ou dobrava as vozes ouvindo o retorno nos PAs do estúdio sem usar o fone, já no Tascam a gente tentava gravar o maior numero de instrumentos por canal, o mix final de "Onde estão suas canções?" deu um pouco de trabalho, pois a idéia é que as faixas estivessem emendadas e no estúdio eu não tinha nenhuma ferramente digital (computador ou algo semelhante) que facilitasse esse serviço. O processo de composição na nossa parceria não tinha uma formula a ser seguida, mas geralmente o Plato escrevia as letras, e ele sempre foi incrivel nesta tarefa, ele rabiscava um sulfite em branco e em questão de minutos surgia uma nova letra para algum dos nossos temas instrumentais, me lembro que foi assim com a letra de "O dia-a-dia de musicista clean" ele foi até a mesa da cozinha e depois voltou de lá com esta letra enorme e super surrealista, "O Carteiro Voyer e a Mulher de Preto" foi outro caso onde ele em poucos minutos desenvolveu em portugues sua versão para "Girl in Black" do The Troggs, era impressionante e com certeza ele ainda é bom nisso até hoje.
A escolha do nome deste nosso projeto tinha referências evidentes ao espetáculo de musica e teatro promovido pela Rhodia em 68, (chamado de Momento 68) este evento era divido em quadros como: "Pop Art", "A Volta do Gangster", "Tropicália", "Sex Strip", entre outros . A gente curtiu o nome e a história dos quadros tinha tudo a ver com o nosso repertório que transitava do rock barroco do Millenium e Left Bank, em (O Dia-a-Dia de Musicista Clean), passava pela Jovem-Guarda e Tropicália em (Abre, Sou Eu, dos Beat Boys e O Carteiro Voyeur e a Mulher de Preto), tinha psicodelia no clima de Syd Barret com o cover do próprio (Golden Hair) e as viajantes (Let it be the Moonglow e Psychedelia and Flowers), temas pseudo-Jazz: (Continental OP e "Les Etrangleurs), ah! e sem esquecer do clássico Pop-Mod (134 O´clock, da parceria do Plato com o Frank Jorge). O evento da Rhodia em si apesar da idéia original que era o de captar fenomenos sociais da epoca é questionado no livro de Carlos Calado (sobre a Tropicália), pois o evento parece ter sido bastante constrangedor para o elenco por abordar os temas de uma forma bastante conservadora.
Com este formato (de duo) e o material divulgado, chegamos a fazer um único show em São Paulo, nossa pareceria sempre foi um misto entre a atitude irreverente e impulsiva do Plato e a minha vontade de organizar os shows e também nosso repertório, e por estarmos morando em cidades tão distantes um do outro, ficava impossível ensaiar e colocar isso em prática. Eu achava que era necessário um cuidado mínimo, caso a gente tivesse a idéia de sair por aí tocando, e isso não rolava, então sem o Plato acabei montando uma banda em SP, para continuar tocando ao vivo com o Momento 68.
A decisão em montar uma banda capaz de tocar algumas faixas de "Onde Estão Suas Canções?" outras inéditas e covers, veio da lacuna aberta com o fim do The Charts em 1999, e também em não deixar um repertório autoral do Momento 68 esquecido, na verdade mesmo tocando com o trio o Plato continuou como um integrante legitimo do projeto original, a idéia (embora na prática não tem ficado bem resolvida) foi exercitar uma forma mais ampla de tocar as músicas, uma abordagem mais intimista com o duo ou algo mais explosivo com a banda. Por outro lado este projeto do trio ainda que usando o nome de Momento 68 já tinha uma outra caracteristica (o de "banda", de "ao vivo") talvez nem fosse mais exatamente o Momento 68 que eu havia formado com o Plato, esta nova etapa poderia ter um nome novo pela nova proposta de fazer shows e pelas novas composições que surgiram naturalmente sem uma preocupação com a parceria do início, mas continuamos lançando outros discos, na inércia inicial do trabalho.
Na ocasião para tocar ao vivo chamei o Gregor Izidro, um excelente baterista que na epoca estava tocando nos Espectros banda que costumava ensair no Quadrophenia. A Tatiana que tocava no Liquid foi recrutada para o baixo (talvez com ela tenha rolado um ou dois ensaios), depois veio a hipotese de chamar um amigo próximo, o Carlos Rodrigues, fanzineiro, que sempre acompanhou a cena do rock alternativo, inclusive o Charts. Na epoca ele editava o Crashing Zine, publicando entrevistas com as bandas, resenhas de demos, dicas de outros zines e etc. Fora do ambiente de tocar com ele no Momento 68 eu já tinha tido de certa forma uma experiência em parceria em um sebo (o Sebo Badaró). O sebo já existia e foi assumido pelo Carlos, eu estava lá para dar uma força, ele ficava na Libero Badaró em um edíficio antigo sensacional, ali, por volta de 1997 a gente começou a fazer eventos de poesia e sarau com musica ao vivo e era uma inspiração a vista panoramica do Vale do Anhagabau que a gente tinha na sacada daquele oitavo andar. A faixa "Outra Cidade" gravada pelo Charts (no disco São Paulo em PB) e regravada pelo Momento 68 (no Tecnologia) foi composta nesse periodo.
A história do Momento 68 em São Paulo foi encerrada precocemente, mas nos poucos anos de atividade tocamos em muitos lugares legais, conseguimos também registrar e viabilizar o lançamento do nosso material, o K7 Ziggy (em 2000) foi o o segundo título lançado já com o formato de banda, e trazia um repertório de covers de The Who, Troggs, Wilson Pickett, Kaleidoscope entre outras referências musicais.
No mesmo ano veio o single em vinil pela Monstro Discos com a regravação de 134 Ooclock e o O Dia-a-Dia de um Musicista Clean, o compacto teve um belo trabalho gráfico desenvolvido pelo Maurício Mota (ou seja, você meu caro que está editando o Rock de Plástico), novamente pela Monstro em 2001 saiu o K7 "Jazzy Man Metrópole", em seguida o EP Vítimas da OP-Art e por fim em 2002 o album Tecnologia (parceria do selo Inglês Voice Print representado no Brasil pelo Fábio Golfetti) e o Sebo 264.
Em algumas apresentações (entre 2001 e 2002) o Momento 68 contou ainda com a participação da Consuelo Gregori no teclado, logo depois do lançamento do album o Gregor deixou a banda e foi substituido pelo Marcelo Badari, o grupo chegou a fazer varias apresentações com este novo formato, mas o Marcelo não estava no pique de ensaios e shows e também deixou o grupo isso foi em dezembro de 2002, no inicio 2003 o Carlos Rodrigues e eu, se juntamos ao baterista Rogério Meni (ex-Ponche) e em março de 2003 já estavamos tocando com uma nova banda batizada de Continental Combo. O album "Onde estão suas canções?" foi relançado em 2008 pela Krakatoa (em formato CDR) com uma nova capa feita pelo Fábio Zimbres.
Compilações, bandas, projetos, trabalho solo e participações de Plato Divorak e Sandro Garcia (K7, CDR, CD, VCD, Download)
Lista geral de títulos por ano de lançamento
1991 - Pere Lachaise - Assim na Terra, Como no Céu - Salva Vidas Produções - LP 1992 - Absolute Harmony (Compilação em K7 - Krakatoa Records) 1993 - Sha La La SoundTrack (Compilação em K7 - Krakatoa Records) 1994 - A Fita dos Mil Disfarces (Compilação em K7 - Krakatoa Records) 1995 - Perverse and Lysergic (Compilação em K7 - Krakatoa Records) 1996 - Hey Aeromoça Venha Lutar Conosco (Compilação em K7 - Krakatoa Records) 1996 - Frank & Plato - Ao Vivo no Instituto Goethe (Krakatoa Records - K7) 1996 - Charts, The - Carbônicos (Suck my Discs 002 - CD) 1997 - Plato Divorak - July Obscene e Movimento Abracadabra (Krakatoa Records - K7) 1997 - Francis Picabia - Francis Picabia (QMR# 001 - K7 - Compilação com covers do 60´s) 1998 - Plato Divorak - Nova Música Proposital Brasileira (Krakatoa Records - K7) 1998 - Veneno Puro (Compilação em K7 - Krakatoa Records) 1999 - Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (QMR# 002 - K7) 1999 - Shiksa - Requintes da Crueldade - CDR 2000 - Momento 68 - Ziggy (QMR# 003 - K7/CDR) 2000 - Momento 68 - Single em Vinil (Monstro Discos 011) 2000 - Shiksa - Tratado Geral de Metafísica - CDR 2000 - Violeta de Outono - Reflexos da Noite - RDS - RDL 4115 - CD 2000 - Manta EP - Bada EP1 - CDR 2001 - Momento 68 - Jazzy-Man Metrópole (Monstro Discos 017 - K7) 2001 - Dellatrons - Dellatrons (BAdA0 - CDR) 2001 - Shiksa - De Volta ao Mundo Fisico - CDR 2002 - Momento 68 - Vítimas da Op-Art ep + zine (QMR# 004 - CDR+Zine) 2002 - Momento 68 - Tecnologia (Sebo 264/ VoicePrint VPB 105 CD) 2002 - Plato e Os Análogicos-Turbilhão de Emoções - Brazilian Pebbles Vol.2 (BACD047 CD) 2002 - Dellatrons - Asia Lee - Trilha Sonora do Filme (QMR# 006 - CD-R) 2002 - Bolor 9 - Quadrophenia Session - LSD 2 - CDR 2003 - Continental Combo - Nova Manhã EP (QMR# 005 - CDR) 2003 - Dellatrons - Gunnar Lou (QMR# 007 - CD-R c/ Vídeo) 2003 - Coletânea do Festival Demo-Sul (Braço Direito Records - CD) 2003 - Blue Afternoon - Folxploitaition - Bizarre Music - BZ008 - CD 2003 - Shiksa - Grandes Momentos da História - CDR 2004 - Plato e Os Análogicos - Carta Para o Garoto de Sabado - Trama Virtual Session 2004 - Continental Combo - O Homem Retalho EP (QMR# 008 - CD-R) 2004 - Laboratório SP - Sob o Céu de São Paulo (Vol.1 CD 004 - CD) 2005 - Skywalkers - Zenmakumba (Baratos Afins - Bacd 062 - CD) 2005 - Cadão Volpato - Tudo Que Eu Quero Dizer Tem que Ser no Ouvido (ODD031 - CD) 2005 - Plato Divorak - Calendário da Imaginação (Baratos Afins - BACD061 CD) 2005 - Charts, The - São Paulo em P&B (Solaris Discos SLRS 0545 - CDR) 2005 - Continental Combo - Continental Combo (Monstro Discos 065 - CD) 2005 - Faces & Fases - 1987-89 em Lo-Fi (QMR# 011 - CD-R) 2005 - Sandro Garcia - Enigma Central Park: Demos Vol.1 (Open Field GRR 003 - CDR) 2005 - Fotograma - Sensorial - Independente - CDR 2006 - Plato Divorak - Besta Luminosa (Open Field - GRR022 - CDR) 2006 - Plato Divorak & Clepsidra - Ela Quer o Voyage Band (Compilação da Senhor F) 2006 - Continental Combo - Retiro EP (QMR# 012 - CD-R) 2006 - Tudo de Novo - Tributo ao Ronnie Von Vol.2 (Coletânea Virtual) 2006 - Continental Combo - 10 Planets - An International Compilation (Solaris Discos SLRSCD 0649) 2006 - The Automatics - Crepuscular (Solaris Discos - SLRSCD 0628 - CDR) 2006 - Fotograma - Anda, Corre, Voa! EP - Independente - CDR 2007 - Plato Divorak - Good Memories - "Lives" (Krak 011 - CDR) 2007 - Explanações Vídeo Compilação Vol.1 (QMR#013 - VCD) 2007 - Continental Combo - Um Dia Tudo Isso Vai fazer Sentido (Loaded EZine - Coletânea Virtual) 2008 - Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (Krak 010 - Relançamento em CDR) 2008 - La Odyssea c/ Plato nos vocais - 50 Mosaicos Brasileiros (Krak 012 - CDR) 2008 - Plato Divorak - Vulcão de Preciosidades (Krak 013 - CDR) 2008 - Continental Combo - A Vida é um Mistério (Monstro Discos 106 - CD) 2008 - Charts, The - Estúdio Pappon - Sessions 1993 (QMR# 017 - K7/CDR) 2008 - Continental Combo - Extras Vol.1(QMR# 014 - Download no site da Banda) 2008 - Continental Combo - Extras Vol.2 - Play the Byrds (QMR# 015 - Download no site da Banda) 2008 - Dellatrons - Compilação 2001-2003 + EP Imaginário 2005 (QMR# 016 - CD-R) 2008 - Modulares - Na Contra Mão EP (QMR# 010 - CD-R) 2008 - Sandro Garcia - Jogos Metropolitanos: Demos Vol.2 (Open Field GRR 039 - CDR) 2008 - Continental Combo - Tributo ao Album Branco dos Beatles (Discobertas DB-012 - CD) 2009 - Continental Combo - Dont Stop Now -Tributo ao Guided by Voices (Transfusão Noise Records - DownLoad e CDR) 2009 - Clepsidra - Sha La La Destroy (Krak 014 - CDR)
Catálogo da Krakatoa Records pelo código de lançamento (CDs e CDRs)
Krak 001 - Lovecraft - Lovecraft (Krakatoa Records- CD - 001) Krak 002 - Frank & Plato - Amnésia Global - CDR Krak 003 - Lovecraft - Através do Arquivo Púrpura - CDR Krak 004 - Guru Psychosis - CDR (Compilação de faixas das fitas K7) Krak 005 - Pere Lachaise - Do Zero ao Infinito - CDR (Compilação de Demos) Krak 006 - SaiFaiscaFlex - CDR (Compilação de bandas) Krak 007 - Plato Divorak - Platossaurus Erectus - CDR Krak 008 - Plato, Biba & Zé do Trumpete - JazzyPunxAquariusLab - CDR Krak 009 - Frank & Plato - Teen Idols Fora de Orbita - CDR Krak 010 - Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (Relançamento em CDR) - 2008 Krak 011 - Plato Divorak - Good Memories - "lives" - CDR - 2007 Krak 012 - La Odyssea - 50 Mosaicos Brasileiros - CDR - 2008 Krak 013 - Plato Divorak - Vulcão de Preciosidades - CDR - 2008 Krak 014 - Clepsidra - Sha La La Destroy - CDR 2009 Mais Informações:
A primeira vez que ouvi falar do Damn Laser Vampires foi em um podcast que eu costumava acompanhar, lembro do apresentador dizendo algo mais ou menos assim: "A Fernanda do Lucy and the Popsonics disse que o DLV é a banda mais legal do Brasil".
Não dei moral nenhuma para esse comentário, pensando ser mais uma dessas bandinhas da moda, som para garotinhas se pegarem. Tempos depois eu pude escutar o som deles no Myspace, e para minha surpresa não era nada do que eu pensava.
Lembro bem da minha reação: "Caralho! Isso é Cru! É punk! É dançante e sombrio! E esse vocal? O cara vai de Lux Interiror à Nick Cave em poucos segundos! Foda!"
Os Vampiros surgiram na contramão da cena porto alegrense, com uma formação pouco convencional (no bass!) e cantando em inglês. Por lá seguiram conquistando um público fiel, gravando suas músicas e produzindo seus próprios clipes. Ano passado lançaram o álbum GHOTAN BEGGAR'S SYNDICATE pelo selo americano Devil's Ruin Records e já preparam um segundo disco.
Confiram a entrevista que o vocalista Ronaldo deu ao ROCK-de-PLÁSTICO.
1- O DLV vem sendo citado por muita gente como uma das bandas mais criativas e inovadoras no atual cenário alternativo brasileiro, mesmo utilizando uma roupagem musical bem simples E COM GRAVAÇÕES LO-FI. O que você acha disso? Você acha que - no meio dessa cena morna e moderninha - o ‘tosco’ e ‘grotesco’ podem vir a ser novidade?
Talvez o que pareça “tosco” seja simplesmente “diferente”. O nosso surgimento é até hoje tido como inovador porque trouxe elementos que não eram vistos no cenário de rock da nossa cidade, nenhuma banda estava fazendo isso. Talvez por causa do tipo de som que predominava naquele momento (e não predomina mais), ou talvez por uma curiosidade que se acendeu sobre nós quando aparecemos na tv local com o nosso visual esquisito, tocando polka com duas guitarras, sem baixo... O que os porto-alegrenses viram ali foi algo como “Ei, mas isso aí pode??” Porque não era algo com o qual a cena local estava acostumada. Nada nos garantia que ia dar certo, bem pelo contrário.
2- Como foi conquistar o espaço dentro da cena de Porto Alegre mesmo soando tão diferente das bandas que costumamos ouvir por aí?
Nós nunca duvidamos do rock como expressão de honestidade. Desde sempre ouvi gente tentando enfiar regras no rock, isso pode, isso não pode... se é feito no Brasil tem que ser em português, esse tipo de besteira. Acho que, mesmo que tenhamos nos arriscado ao dar as caras numa cena que tinha tudo pra nos rejeitar, foi justamente essa diferença que permitiu que ganhássemos atenção.
3- Fale sobre a “Patrulha do Inferno”.
Bando de doidos. Gostam de beber e distribuir hematomas entre si, cantam nossos refrões em coro com os punhos no ar. Adoramos eles. Temos saudade quando não estão presentes. Fizemos viagens juntos. Nos deram algumas das nossas melhores memórias. São os responsáveis por alguns dos nossos shows mais perigosos, também. O último que eles produziram, em Cachoeirinha, foi talvez a maior chuva de cerveja e espuma de carnaval que já vimos. Descobri nessa noite que gosto tem espuma de carnaval, aliás. Coisas que a gente só descobre graças à Patrulha do Inferno. Obrigado, caras. (risos)
4- Tem rolado shows fora do estado? Como tem sido a receptividade no resto do país e no mundo?
Nada mal. Na música as coisas geralmente acontecem primeiro de modo regional, depois atraem atenção externa, e aí rola aquela prova de autenticidade, quando gente de fora toma conhecimento e procura saber mais a respeito. Nós passamos por esse teste e conquistamos nosso espaço. Por exemplo, em outubro estaremos indo pra nossa quarta tour paulistana; cada vez que pisamos lá é mais legal que antes, tem mais gente diferente à nossa espera. SP é uma cidade onde nos sentimos em casa, como se fôssemos nascidos e criados ali. Mesmo com todo o orgulho que temos do nosso público porto-alegrense. Não é bairrismo, Porto Alegre tem um dos melhores – não confundir com “maiores” – públicos de rock que já vimos.
Não temos nada agendado pro exterior ainda, isso é algo que só vai rolar quando for possível. Não vamos vender a casa nem nada do tipo pra custear turnês internacionais (risos), não fazemos esse tipo de coisa.
5- Como foi o contato Com a Devil’s Ruin? Você acha que foi mais fácil negociar com um selo gringo do que com algum selo daqui?
Foi mais fácil. Os americanos têm essa obsessão com leis; tudo desde o início foi muito regulamentado, muito na base de contrato, de relatório, de termo disso e daquilo, o que é ótimo porque ninguém sacaneia ninguém. O mínimo que se quer é ser tratado como profissional, e conosco a DRR tem sido impecável.
6- O próximo álbum sai quando? Fale sobre o novo disco do DLV.
Não estamos falando muito sobre o segundo disco ainda, gostamos de trabalhar mais ou menos em segredo. Ele é uma evolução do “Gotham Beggars...”, no sentido de que estamos naturalmente mais experientes. Selecionamos treze músicas de cerca de 25 candidatas. Serão todas inéditas (algumas estão sendo tocadas nos shows, mas nenhuma foi gravada antes). Será gravado no mesmo esquema do primeiro: no Music Box, com o Birck na técnica, e, claro, sai também pela Devil’s Ruin. Planejávamos lançá-lo este ano, mas vai ficar pra 2010. De qualquer forma, não está longe.
7- O som de vocês apresenta referências à cultura b, quadrinhos e cinema.Você acha que esses elementos influenciam tanto quanto a própria música?
Imensamente. Não separamos essas coisas em momento algum. Se existe uma certeza sobre a DLV, é que tudo que fizermos sempre vai ter a sombra dessa cultura.
8- Musicalmente falando rola uma mistura de punk/garage/psychobilly/polka e coisas obscuras dos anos 80. Fale sobre essas referências.
Curtimos muito psychobilly, mas nosso terreno é o punk e o pós-punk (e polka, claro). É daí que vêm os desdobramentos mais importantes pra nós, incluindo a new wave e o “gótico”. As pessoas têm no geral uma imagem muito rasa dos 80, é uma década absolutamente fascinante.
9-Atualmente existe algum som que realmente te inspira?
Garage punk sul-americano. Tom Waits também me inspira desde sempre e cada vez mais. Mas não se preocupem, a gente não vai imitar Tom Waits (risos).
10- Um amigo meu comentou que o único defeito do DLV foi não ter lançado nada em vinil. Existe a possibilidade de o segundo álbum sair nesse formato?
Por nós lançaríamos TUDO em vinil, sem dúvida nenhuma. É o melhor formato pra se apreciar o rock. Mas por enquanto isso não depende de nós, por isso não posso prometer pra quando rolaria. Tudo pode acontecer.
Sabe aquela conversa de que as coisas acontecem no momento certo? Então... é o que estou colocando na minha cabeça esses dias. Explico!
Há cerca de 60 dias, num estalo, decidi ter todos os discos do Cramps em vinil. E parti feroz pro eBay, a “caçar” os LPs, dando preferência às edições de época e aos discos oficiais – pois circulam também uma infinidade de bootlegs LPs.
Foi nesse instante que pensei: “putz, gosto de Cramps e de vinil há quase 10 anos e só agora decido ter os discos em LP?!!?”. ... É aquela história: “antes tarde que mais tarde ainda!”
O fato é que, após juntar bons dólares em vendas até de CD do Michael Jackson pós-morte (afinal “negócios são negócios”... hehe), estou montando a coleção de Cramps em vinil.
Assim, à medida que for recebendo os LPs, publicarei algo sobre cada um – porque Cramps não é apenas uma banda; é o capítulo mais fascinante da história do rock ‘n’ roll e os seus discos documentam isso.
Lembrando que sobre PSYCHEDELIC JUNGLE – o disco do Cramps que escutei por anos no lado A de uma cassete de 90 minutos – eu escrevi quando o Lux Interior morreu. E há uns vinte dias falei do GRAVEST HITS.
Hoje é a vez de A DATE WITH ELVIS.
Arrisco dizer que este é o disco mais acessível do Cramps; nele estão músicas conhecidas como ‘What’s Inside A Girl?’, ‘Kizmiaz’, ‘Can Your Pussy Do The Dog’.
A edição que consegui é a do selo inglês Big Beat, de 1986, que traz encarte com letras e foto da Poison Ivy.
O nome do disco, todo mundo sabe, parodia o LP do Elvis de 1959. Recentemente a banda Ovos Presley, por sua vez, parodiou o Cramps, com o seu “A Date With Ovos” (2004) – tudo a ver!
Em A DATE WITH ELVIS escutamos pela primeira um baixo num disco do Cramps. E mais: esse baixo foi gravado pela Poison Ivy que, portanto, acumulou as funções de guitarrista e baixista!
Como em todo álbum da banda, tem versão para clássico obscuro, então “desenterrado”. No caso é ‘It’s Just That Song’, que fecha A DATE WITH ELVIS, música de Charlie Feathers, lançada originalmente num single de 1976.
E a versão do Cramps parece um rockabilly de 20 anos antes, como se fosse 1956, principalmente por causa do baixão elegante da Poison Ivy.
Mas falando na melhor guitarrista de todos os tempos, alguém aí já ouviu uma coisa mais deliciosa que os vocais dela em ‘Kizmiaz’ ???
Hoje ROCK-de-PLÁSTICO traz uma entrevista internacional!
São nossos primeiros “wild friends around the world”!!!
Tudo começou há uns meses atrás: estava eu “caçando” na net uma gravação rara dos Oblivians – de ‘The Jack’, cover para o clássico do AC/DC, que saiu somente num 7” split hoje disputado à foice no eBay – e descobri que tinha um selo de Madri lançando um tributo aos Oblivians!
Mas um tributo com bandas espanholas!
E mais: lançado em vários volumes, em vinis de 7 polegadas!
Pensei na hora: “mas que coisa legale!”
Fui ao myspace do selo, ouvi as versões do primeiro volume, e imediatamente decidi ter o compacto! E foi um abraço...
O selo se chama Ghost Highway Recordings e, além desse tributo, tem vários outros lançamentos rock ‘n’ roll e garage punk.
Tudo em edição limitada e APENAS em vinil!
Usam o myspace só para divulgação e as músicas não podem ser baixadas.
“...si queres boa música compra vinilo!!!”
Quem diz é o nosso entrevistado, Marco, a figura à frente dessa empreitada toda.
Confiram adiante a entrevista – na íntegra e exclusiva!
1- Como é a cena garage rock aí na Espanha? Como é o público e os lugares onde acontecem os shows? E os selos também...
A escea garage-rock e moi boa con moitas bandas, de moi boa calidade, hay bastantes lugares para que as bandas poidan tocar en directo...
tanto en cidades grandes ou poboacions mais pequenas. En canto a selos discograficos hay moitos selos pequenos como Ghost Highway Recordings que facemos isto de publicar discos de vinilo como hobby e por amor a música...
Como bandas a ter en conta estan Hollywood Sinners, Juanita y Los Feos, Fabuloso Combo Espectro, Cuerpos, Muletrain, Silla Electrica, Wau y Los Arrrghs!, Tetallica, Mano de Mono, Los Chicos, Los Idiotas, Las Nurses, Paniks, etc etc etc
Selos discograficos pequenos que editan vinilo están Holy Cobra Society, Blondes Must Die Records, Hey Girl Records!, Discos Humeantes, Discos Alehop!...
2- Que tipo de banda sai pelo selo Ghost Highway Recordings? Vocês acreditam em Deus? Bandas de Rock'n'Roll, Garage, Punk, ... etc una banda que misture este tipo de músicas e perfecta para Ghost Highway Recordings
Deus? que Deus? o Deus do Rock'k'Roll? Elvis? Lux Interior?
3- Em que formatos e tiragem saem os seus lançamentos? O que vocês acham de CD (compact disc)?
Os nosos lanzamentos saen só en vinilo 7"... edicións limitadas de poucas copias e con diferentes portadas...
CD? non!!
estos son os lanzamentos ata agora;
GHR-01: JACK OBLIVIAN & The Cigarillos - "Drinking Wome's Milk" / "15 Beers" >> SOLD OUT
GHR-02: MUNLET: "Perturbadora de Mentes" / "Turismo Extremo"
GHR-03: Tribute To The OBLIVIANS Vol. 1: Las NURSES: "Bum A Ride" / Los IDIOTAS: " She's A Hole"
Proximamente:
GHR-04: WALTER DANIELS & The Gospel Clodhoppers: "Harmonica" / "Take Your Foot Out Of The Mud & Put It In The Sand" (September)
GHR-05: Tribute To The OBLIVIANS Vol. 2: HOLLYWOOD SINNERS: "Pinstripe Willie" (Hey Willie!) / ASANO HISTORICAL SOCIETY: "Show Me What You Like" (November)
GHR-06: Tribute To The OBLIVIANS Vol. 3: PANIKS: "Ride That Train" (Coge el tren) / FABULOSO COMBO ESPECTRO: "Big Black Hole" (Feb 2010)
4- Atualmente quais as bandas/artistas estão no seu casting? Tem alguma banda feminina? Você recebeu material de bandas brasileiras ou gostaria de lançar bandas brazucas?
Actualmente estou traballando con bandas españolas para editar vinilos 7" facendo tributo a Oblivians... hay duas bandas femeninas que ban a facer versións de Oblivians, Tetallica e Las Señoras... grandes bandas de Punk-femenino!!!
Tamen voy a sacar un vinilo a 7" a Walter Daniels & The Gospel Clodhoppers que é unha superbanda formada por grandes músicos como;
Walter Daniels (Jack O'Fire, Big Foot Chester, South Filthy,...): harp, vocals
John Schooley (The Revelators, Hard Feelings,...): slide guitar
Jeff Pinkus (Butthole Surfers, Honky,...): banjo bass
Trey Robles (Hard Feelings, The Yuppie Pricks, Tempo Tantrums,...): drums, luggage
Ralph White (Bad Livers, Golden Boys,...): fiddle
Texacala Jones (Tex & The Horseheads, Los Platos,...): vocals
Ata agora non recibo material de bandas extranxeiras, soamente bandas españolas ou bandas amigas como Jack Oblivian e Walter Daniels
pode que nun futuro poida anunciar algunha que outra banda internacional...
5- Quais as formas de divulgação e de comércio usam para distribuir os discos da Ghost Highway Recordings?É possível baixar as músicas em mp3? A divulgación e a través de internet, o myspace, garagepunk forum, ipunkrock... etc logo tamen en concertos das bandas
é unha pequena distribución...
no myspace podes escoitar as cancions pero non se poden baixar en mp3... si queres boa música compra vinilo!!!
6- Como surgiu a idéia de fazer um tributo aos Oblivians em vários volumes de 7 polegadas? Pretendem fazer algum outro tributo do tipo?
A idea e porque son un gran fan de Oblivians e como coñezo moitos amigos e bandas que gostan da musica dos Oblivians pois falando con eles de facer este tipo de tributo a todos gustou a idea... e agora podese ver que está funcioando ben e que hai moitas bandas implicadas... inicialmente a proposta e para facer 7 volumenes de bandas españolas facendo tributo a Oblivians... todo en vinilo 7", edicions con diferentes portadas e vinilos.
edicions limitadas.
De momento soamente vou a facer este tributo...
7- Você pode listar as bandas/músicas de cada um dos volumes do tributo aos Oblivians? Alguma capa vai ter mulher pelada?
De momento estos son os tres primeiros volumens
Tribute To The OBLIVIANS. Vol. 1 > LAS NURSES: "Bum A Ride" / LOS IDIOTAS: "She's A Hole"
Tribute To The OBLIVIANS. Vol. 2 > HOLLYWOOD SINNERS: "Pinstripe Willie" / ASANO HISTORICAL SOCIETY: "Show Me What You Like"
Tribute To The OBLIVIANS. Vol. 3 > PANIKS: "Ride That Train" / FABULOSO COMBO ESPECTRO: "Big Black Hole"
Nun futuro estas son as bandas que van a participar nos seguintes volumenes:
LOS CARNIVOROS: "Leave Me Alone"
LOS PLATANOS: "Do The Milkshake"
LOS CHICOS: "What's The Matter Now?"
FOGGY MENTAL BREAKDOWN: "Bad Man"
JIMENEZ LOS SANTOS: "You Fucked Me Up, You Put Me Down"
GRUPO SUB-1: "I'm Not A Sicko There's A Plate In My Head"
TETALLICA: "Strong Come On"
CUERPOS: "The Leather"
JUANITA Y LOS FEOS: "Nigger Rich"
MANO DE MONO: "Trouble"
FUCKLAND: "Mad Lover"
EUREKA HOT IV: "Feel Real Good"
MULETRAIN
JESUS RACER ROCK AND ROLL TRIO
CHIQUITA Y CHATARRA
LAS SEÑORAS
8- Deixe para nossos leitores o contato do selo Ghost Highway Recordings. E deixe também um recado para as bandas e para as pessoas que gostam de garage rock mundo afora.
Choose vinyls for your ears, cleam them with rock'n'roll and garage-punk!!! Compra vinilo!!!, escoita vinilo!!! colecciona vinilo!!! os CDs están mortos!!! os mp3 só valen no coche...